domingo, 1 de agosto de 2010

Retrofit

Edo Rocha

Entende-se por retrofit a renovação completa de um prédio de arquitetura, ou seja, coloca-lo de novo em forma. A simples reforma de um andar de um edifício não pode ser considerado como um retrofit. Por que fazer um Retrofit ? - O edifício é um marco da arquitetura - O edifício está bem localizado - O edifício é um marco histórico para empresa - O Retrofit é mais rápido que a construção - Recuperação do Ativo Iimobiliário Para um projeto de retrofit é importante o julgamento das capacidades da estrutura do prédio, valor patrimonial e o valor agregado do retrofit. Em um retrofit deve-se pesar itens que são importantes, imprescindíveis, desejáveis e possíveis. Portanto uma matriz de desenvolvimento é prioritária no julgamento de um retrofit. Na maioria das vezes, é necessário, troca dos revestimentos da fachada (com substituição de caixilhos e vidros), troca dos equipamentos de ar condicionado, elevadores, shafts , facilidade de implantação de rede de cabeamento estruturado, distribuição de elétrica telefonia e dados, acomodação das tecnologias necessárias, etc. O ponto baixo do prédio deve ter uma estrutura que permita a acomodação das novas necessidades e instalações de novas tecnologias. Caso contrário, o prédio estará limitado a soluções obsoletas que não colocara-lo “on fit” para receber empresas que necessitem das instalações do office automation.

Fonte: http://www.arquitetura.com.br/colunas

Conforto Acústico - Um direito!

Vítor Litwinczik

Um dos grandes incômodos em condomínios é a briga entre vizinhos e um dos principais motivos é o barulho. Guitarra, animais domésticos e crianças estão entre os pontos que desarmonizam a integração entre os moradores de um prédio. Só que muitos desses problemas são de fato gerados pelo uso de materiais inadequados na construção dos apartamentos a fim de reduzir os custos da obra.

O que defende o consumidor numa situação dessas? Até agora, o comprador de um imóvel não tinha no que se amparar para, de um ponto de vista técnico, reclamar de problemas com ruídos. Pensando nisso, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) criou novas regras para regulamentar o conforto acústico em ambientes. A norma NBR 15.575, que está em vigor desde esse mês de maio, determina índices de desempenho mínimo para diversos critérios de conforto, entre eles o acústico.

Com essa norma, o morador saberá qual o desempenho acústico esperado para sua residência, antes mesmo da sua construção. Construtoras e fornecedores de materiais e soluções para construção civil deverão se atualizar sobre as novidades tecnológicas ou processos construtivos mais eficientes em termos acústicos. Mesmo a medida não tendo força de lei, ela poderá modificar a exigência dos consumidores, que atualmente procuram por uma moradia própria e desejam fugir dos chamados “prédios de papel”.

Para isso, os consumidores devem tomar consciência de sua importância no processo, que é o de cobrar a adequação das edificações à norma. É preciso que todos saibam que já tem amparo técnico para escolher um imóvel que não irá trazer dores de cabeça com barulhos. Exigir um certificado das construtoras para verificar se o empreendimento está de acordo com a norma é, enquanto cidadão, reconhecer que o conforto acústico é um direito.

Fonte: http://www.arquitetura.com.br/colunas

''Aqui há invenção'', disse Le Corbusier

Oscar Niemeyer

Somente em 1957 surgiu o problema da nova capital. JK me procurou na casa das Canoas e juntos descemos para a cidade. Queria construir Brasília, a nova capital do nosso país, e, como ocorreu em Pampulha, desejava a minha colaboração - a minha e de Marco Paulo Rabelo, que como eu o acompanhou, de Pampulha à inauguração daquela cidade.

Entusiasmado, JK contou-me que pretendia uma capital moderna, concluindo, empolgado, "a mais bela do mundo". E ficou combinado que eu procuraria Israel Pinheiro, responsável pela obra.

Na primeira viagem que JK fez ao local o acompanhei. Lembro o ministro da Guerra, o general Lott, a me perguntar: "Os prédios do Exército serão modernos ou clássicos?" E eu a responder: "Numa guerra, o senhor prefere armas modernas ou clássicas?" E ele sorriu com simpatia.

Foram três horas de voo; confesso não ter tido boa impressão do lugar.

Longe, longe de tudo, e a terra vazia e abandonada. Mas o entusiasmo de JK era tal, e o objetivo de levar o progresso para o interior tão válido, que acabamos, todos, com ele concordando.

A distância, a conveniência da presença de JK no local para manter o calor do empreendimento nos levou a pensar na necessidade de iniciar os trabalhos com a construção de uma pousada onde ele pudesse ficar nos fins de semana. Uma casa de madeira foi pensada. Fiz as plantas. Juca Chaves e Milton Prates comandaram a construção, e eu assinei uma promissória que, descontada num banco, permitiu realizar essa obra, depois conhecida como "Catetinho". Em quinze dias JK já a utilizava.

Era o seu refúgio da política, dos que contestavam a construção da nova capital, a conversar com os amigos, a discutir como seria aquela cidade, o seu sonho predileto. À volta da casinha um grupo de árvores - como um pequeno oásis - a distinguia na terra rasa e vazia do cerrado.

Lembro que a água vinha de uma caixa pendurada em uma das árvores, que o lugar de estar e de conversa era sob os pilotis, ao redor de uma longa mesa com bancos de madeira. E havia uísque e muita camaradagem.

Cedo, o nosso amigo Bernardo Sayão trazia de helicóptero os mantimentos necessários, e Brasília já estava no coração de todos nós.

Na sede do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro, os trabalhos se iniciaram. Pouco depois, senti a conveniência de mudarmos para Brasília. E para lá segui com os meus colaboradores. Não pensava levar apenas arquitetos e convidei outros amigos - um médico, dois jornalistas e quatro camaradas que não cuidavam de arquitetura.

Estavam sem trabalho, eram inteligentes e divertidos, e compreendi ser o momento de ajudá-los. Eu não gostaria de passar as noites de Brasília a falar de arquitetura - para mim um complemento da vida, muito mais importante do que ela.

O problema do Plano Piloto se fazia urgente, e organizamos um concurso internacional. Inquieto, JK me propunha: "Niemeyer, não podemos perder tempo. Faz você o Plano Piloto." E eu não aceitava. Pensava, inclusive, que talvez o Reidy participasse do concurso. Era de todos nós, pela própria função que exercia na Prefeitura do Rio, o mais informado no assunto, mas isso não ocorreu, surgindo Lúcio Costa com seu talento excepcional.

Recordo como tentaram cancelar o concurso já por terminar, com o projeto do Lúcio se destacando. O presidente do IAB a procurar Israel Pinheiro, sugerindo nomearem uma comissão de urbanistas para elaborar um novo projeto. Israel disse que o assunto era comigo, e foi no Clube dos Marimbás, na presença do arquiteto João Cavalcanti, que declarei: "Da minha parte vocês vão encontrar todos os obstáculos." E o Lúcio foi o vencedor.

Era uma solução urbanística inovadora, os diversos setores independentes, a área habitacional ligada ao pequeno comércio e às escolas, o Eixo Monumental a lembrar com sua monumentalidade a grandeza de nosso país, e a Praça dos Três Poderes a completá-lo, debruçada sobre o cerrado como ele preferia.

E o plano se desenvolvia numa escala variada, humana ou monumental, que só um homem sensível como Lúcio podia conceber.

O primeiro projeto iniciado em Brasília foi o Palácio da Alvorada. Sua localização ainda não fora fixada pelo Plano Piloto. Não podíamos esperar. E lá fui eu com Israel Pinheiro a procurá-la, o capim a nos bater nos joelhos, pelo cerrado afora.

Elaborei o projeto. Um prédio em dois pavimentos. Destinava-se à residência do presidente e sua área de trabalho. E com tal apuro o projetamos que ambas se entrelaçam sem perderem a independência desejável. Recordo a larga varanda, sem peitoril, um metro acima do chão, protegida por uma série de colunas a se sucederem em curvas repetidas. Lembro André Malraux, ao visitar o palácio: "São as colunas mais bonitas que vi depois das colunas gregas." E elas a serem copiadas no Brasil, num prédio de correio nos Estados Unidos, na Grécia, na Líbia, por toda a parte. As cópias não me incomodavam. Tal como com relação à Pampulha, as aceitava satisfeito. Era a prova de que meu trabalho agradava a muita gente.

E o palácio sugeria coisas do passado. O sentido horizontal da fachada, a larga varanda protegendo-o, a capelinha a lembrar no fim da composição nossas velhas casas de fazenda.

Depois do Alvorada, começamos a estudar o Eixo Monumental e pela Praça dos Três Poderes iniciamos nosso projeto. Dela faziam parte, como fixava o Plano Piloto, o Palácio do Planalto, o do Supremo e o Congresso, este último localizado mais afastado da mesma. Um afastamento que espelhos d''água e renques de palmeiras justificavam.

Mas a ideia de que o Congresso deveria se integrar na Praça me preocupava, o que explica ter mantido a cobertura desse palácio no nível das avenidas, permitindo aos que se aproximassem ver, por cima dela, entre as cúpulas projetadas, a Praça dos Três Poderes da qual este fazia parte.

E com essa solução as cúpulas do Senado e da Câmara se faziam mais imponentes, monumentais, exaltando a importância hierárquica que no conjunto representam.

Lembro Le Corbusier, dizendo a Ítalo Campofiorito, a subirem a rampa do Congresso: "Aqui há invenção!" Eram as enormes cúpulas daquele palácio que o surpreendiam, pela ousadia inventiva que revelavam.

Ao desenhar os Palácios do Planalto e do Supremo, deliberei mantê-los dentro de formas regulares, tendo como elemento de unidade plástica o mesmo tipo de apoio, o que explica o desenho mais livre que para as colunas desses dois edifícios adotei. E os palácios como que apenas tocando o chão. Uma opção arquitetônica que Joaquim Cardozo, engenheiro e poeta, um dos brasileiros mais cultos que conheci, defendia, a dizer: "Um dia vou fazê-las mais finas ainda, de ferro maciço". O croqui inicial mostra, num corte do Palácio do Planalto, o tipo de estrutura que desenhei, mais rico sem dúvida do que aquele que uma arquitetura menos ousada teria preferido.

Nos dois prédios a seguir, o Palácio da Justiça e o Itamaraty, minha preocupação foi prever uma arquitetura mais simples, essa arquitetura elegante e repetida, fácil de ser elaborada e aceita pela grande maioria. Seria como um momento de pausa e reflexão para melhor compreenderem a arquitetura mais livre que prefiro.

A ideia de fazer uma arquitetura diferente me permite afirmar hoje aos que visitam a nova capital: "Vocês vão ver os palácios de Brasília, deles podem gostar ou não, mas nunca dizer terem visto antes coisa parecida". E isso se verifica na Catedral de Brasília, diferente de todas as catedrais do mundo, uma expressão da técnica do concreto armado e do pré-fabricado. Suas colunas foram concretadas no chão, para depois criarem juntas o espetáculo arquitetural. E vale a pena lembrar outros detalhes, com a arquitetura se enriquecendo, como o contraste de luz com a galeria em sombra e a nave colorida. E lá estão os anjos de Ceschiatti, e a possibilidade inédita, que muito agradou ao núncio apostólico, de os crentes olharem pelos vidros transparentes os espaços infinitos onde acreditam estar o Senhor. É o arquiteto a inventar sua arquitetura, que poucos, muito poucos, vão poder compreender.

Não foi fácil trabalhar em Brasília, e o projeto do Congresso Nacional serve de exemplo. Um trabalho elaborado sem programa, sem uma ideia de como se ampliaria o número de parlamentares. "Tudo a correr" era a palavra de ordem. Recordo como foi iniciado aquele projeto, Israel Pinheiro e eu indo ao Rio com o objetivo de dimensionar o antigo Congresso daquela cidade, para, multiplicando a área estimada e os setores existentes, iniciar os desenhos.

Tudo isso explica os prédios anexos depois realizados. Basta mencionar um deles, para avaliar as nossas dificuldades. Quando veio o parlamentarismo, o grande hall do Congresso ficou coberto de novas salas e gabinetes, pedindo uma solução. Aquele hall continuava indispensável e aquelas salas deveriam ficar junto do plenário. Eu queria defender a arquitetura do palácio, e a solução foi aumentar sua largura em 15 metros. A vista da Praça dos Três Poderes que do antigo salão se descortinava desapareceu, mas a arquitetura externa do Palácio foi preservada, e com tanto apuro que ninguém percebe essa modificação que, como arquiteto, sempre lamentei.

Felizmente o contato com deputados e senadores foi tão cordial e a atuação do meu amigo Luciano Brandão, secretário-geral, tão hábil que a obra do Congresso seguiu sem problemas.

Mais recentemente, desenhei três novos edifícios em Brasília - a Procuradoria Geral da República e os anexos do Supremo e do Tribunal de Contas da União. Prédios arquitetonicamente, a meu ver, importantes, mas, para alguns, de construção excessivamente dispendiosa. Recordo-me como os defendi. São prédios públicos; sei que meus irmãos mais pobres nada vão usufruir, mas, se forem bonitos e diferentes, vão parar para vê-los - será para eles um momento de surpresa e encantamento.

Como a própria vida, Brasília teve bons e maus momentos, e um dos melhores, que chegou a nos lembrar os tempos de JK, foi o do governador José Aparecido de Oliveira. Foi ele quem construiu o panteão, quem concluiu a catedral, a Praça dos Três Poderes, o Memorial Lúcio Costa, que, a meu pedido, nela realizou. Foi esse meu amigo que tentou melhorar as cidades-satélites, fazê-las mais acolhedoras e com isso defender um pouco o Plano Piloto da densidade demográfica que se multiplica.

O tempo correu. Pouco a pouco Brasília se foi consolidando em função do traçado de Lúcio Costa, das formas inesperadas que sua arquitetura assumiu, dando vida àquele planalto sem fronteiras, onde o céu parece maior.

Tudo isso me leva a recordar aqueles serões inesquecíveis que o nosso grupo passava na presença de um presidente possuído do maior dinamismo, mas capaz de guardar tempo para ver os amigos e, como outro homem qualquer, rir e brincar um pouco. Tarde, uma ou duas horas da madrugada, JK nos acompanhava na saída. E aí nos retinha, empolgado com a noite de Brasília. O céu imenso, cheio de estrelas, os palácios já erguidos a se destacarem com suas formas brancas na enorme escuridão de cerrado.

Mansamente, como a me dizer um segredo, JK tomava-me pelo braço: "Niemeyer. Que beleza!"


Fonte: O Estado de S.Paulo

Até que ponto estrutura ruim prejudica estudantes?

Roberto Machado

Embora importante, outros fatores são necessários para boa formação

"Quem faz a faculdade é o aluno". A frase chega a ser um clichê na boca de alguns estudantes. Frequentemente usada por alunos matriculados em instituições menos prestigiadas, a alegação é vista por muitos quase como uma justificativa para o fracasso na tentativa de ingresso numa universidade renomada, que tenha bons professores e além disso, infraestrutura de ponta. Mas até que ponto a boa estrutura pode dar vantagem aos estudantes universitários e de que forma um bom aluno pode ficar para trás se não tiver a sua disposição boas instalações? De fato é somente o aluno quem faz a faculdade ou as instalações fazem toda a diferença no processo de aprendizado?

Para Laeda Machado, coordenadora do curso de pedagogia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), a infraestrutura de aprendizado é um conjunto entre espaço físico e capacidade do professor com seu envolvimento no tripé educacional universitário de ensino, extensão e pesquisa. "O professor deve criar mecanismos que incentivem o aprendizado dos alunos", diz ela. Segundo a coordenadora, além das atividades fora dos horários de aula, é preciso aproveitar da melhor maneira possível a sala de aula, lugar onde alunos e professores passam boa parte de seu tempo. Por esse ponto de vista, Leda afirma que deficiências estruturais podem afetar o rendimento dos alunos e dificultar o trabalho dos professores. "Por exemplo, passamos por uma onda de calor que atrapalha a permanência dentro das salas", explica a coordenadora sobre a dificuldade de lidar com um grupo de alunos das 8h às 12h numa sala sem ar-condicionado.

De acordo com o pró-reitor de ações afirmativas e assistência estudantil da UFBA (Universidade Federal da Bahia) Álamo Pimentel, um dos principais desafios das universidades depois do ingresso dos alunos é mantê-los na instituição. E é aí que a infraestrutura tem papel importante, já que Pimentel destaca a importância das atividades extraclasse. "A universidade deve transcender a sala de aula. É preciso organizar festivais de música, teatro e amostras de cinema, por exemplo", explica ele, que chama atenção para que haja constante comunicação entre alunos, professores e reitoria para manutenção do ambiente em ordem e melhora das possíveis falhas de estrutura. "Público ou privado, o espaço é sempre de todos, por isso é preciso respeitar e manter a reitoria informada sobre o que se deve fazer para melhorar o ambiente", acrescenta Pimentel.

Há educadores que defendem que a infraestrutura é fundamental em determinadas áreas. Helena Côrtes, professora da faculdade de educação e pró-reitora de ensino de graduação da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), usa como exemplo os cursos de Comunicação Social, Química e Engenharia, em que, segundo ela, o aprendizado prático é de extrema importância para os conteúdos procedimentais. "Não é possível aprender a nadar sem entrar numa piscina, por isso esse tipo de laboratório é tão necessário", exemplifica Helena. De acordo com ela, a necessidade de uma boa infraestrutura não termina apenas nos objetos específicos de cada área, ela cerca toda a universidade, desde a entrada até a saída e passa por áreas de lazer, alimentação e até sustentabilidade. É esse conjunto de fatores que Helena acredita serem capazes de potencializar o maior objetivo de uma instituição de ensino, o compartilhamento de conhecimento.

Em sala de aula

Dentro da sala de aula aspectos que podem parecer simples são os que fazem maior diferença na hora do aluno assistir as aulas. "A iluminação deve vir da esquerda, agir em parceria com a luz natural e a lousa possuir anti-reflexo", diz Helena, que explica que dessa maneira, além de consumir menos energia, também mantém o foco do aluno que não terá dificuldade na hora de buscar os pontos apontados pelo professor no quadro. Naquelas salas de aula onde o número de alunos é muito grande, o uso de microfones é outro ponto que facilita a comunicação entre professores e estudantes. Helena também acha importante o uso do ventilador, sejam eles de teto, ou ar-condicionado, além das carteiras ergonômicas. "No calor é imprescindível que haja ventilação na sala e carteiras que não prejudiquem a postura dos alunos", continua a professora.

Nas áreas comuns da universidade a educadora acredita que banheiros limpos, jardins, paisagismo e centros de coleta para resíduo reciclável também agem no lado social do indivíduo. "Sob o ponto de vista didático existe o favorecimento da aprendizagem pelo ambiente que permeia a sala de aula", afirma Helena. Esses aspectos, em parceria de um grupo de docentes capazes, pode parecer o suficiente para o aproveitamento de qualquer curso, mas a professora vai além. "Os professores devem ser capacitados para aproveitar da melhor maneira possível essa infraestrutura, mas isso não é tudo. Eles devem estar sempre centrados no lado humano da relação com os alunos. Estudar seus problemas para ajudar em seu aprendizado", declara ela.

Um exemplo que a professora usa para ilustrar como boas instalações deve ser aliadas a boas práticas são as visitas a bibliotecas. Ainda que sejam bem equipadas e de importância evidente, Helena adverte. "O professor não pode apenas direcionar o aluno à biblioteca, ele deve frequentar o ambiente com sua turma e trocar dicas de leitura para fazer parte do contexto", sugere ela, que destaca também o papel da alimentação e como o fácil acesso a áreas para esse fim podem contribuir para a boa performance estudantil. Segundo ela, a alimentação saudável também deve ser encarada com atenção pelas instituições. "As refeições devem ter o acompanhamento de um nutricionista para que sejam balanceadas, baratas e nutritivas. É uma boa opção para aqueles que se alimentam mal entre as aulas".

Internet

A rede mundial de computadores e a propagação do acesso têm sempre lugar de destaque quando o assunto é estrutura de aprendizado. Há consenso da importância dessa ferramenta no ambiente universitário. Mas em decorrência da facilidade e velocidade com que a informação chega para os estudantes, muitos acabam com a ilusão de que a internet ainda vai substituir o papel do orientador, e mesmo que seja uma ferramenta útil tanto para o aluno quanto para o pesquisador, Helena explica o problema dessa substituição irresponsável. "Vivemos na era da informação, mas ela, por si só, não é sinônimo de conhecimento", alerta. Para que esse tipo de tecnologia seja utilizada da maneira correta, a educadora acredita que é necessário um professor que mostre o melhor caminho para os seus alunos dentro do que é estudado. Isso porque, a perca do foco pode levar os estudantes para longe do aprendizado adequando em meio às muitas opções da rede.

Além da proximidade que deve existir entre professor e aluno na busca pelo conhecimento, Maria Amélia Sabbag Zainko, pró-reitora da UFPR (Universidade Federal do Paraná), acredita que o contato com obras culturais como livros devem vir antes do contato com o mesmo material virtual. "Os alunos precisam frequentar bibliotecas para compreender a diversidade de obras que a humanidade já publicou e o peso cultural que isso gerará para sua vida acadêmica e pessoal", diz ela.

Maria Amélia completa ainda que, independente do que o aluno pensa que o aguarda no Ensino Superior, o conhecimento está em constante mudança. Na sala de aula ele vai apenas receber mais uma dose disso, mas ele não deve pensar que sairá da universidade transbordando saber, ainda que a instituição seja privilegiada em termos estruturais. "A universidade não transfere um conhecimento acabado, esse é um processo que vai e deve acontecer por toda a vida", declara Maria Amélia.


Fonte: Universia

4% do valor do imóvel é suficiente para preparar o apartamento novo para morar

Quem já esgotou o orçamento ao comprar um apartamento novo deve lembrar que terá mais despesas pela frente: as do acabamento do imóvel para poder mudar. Ele costuma ser entregue com azulejos em cozinha e banheiros, pias, vasos sanitários e uma demão de tinta.

Equipá-lo, então, significa providenciar pisos, armários, pintura, persianas, iluminação, aquecedor e varal e fechar a área de serviço.

Para ajudar a conciliar essas obras com o dinheiro que sobrou, a Folha pediu a três profissionais que projetassem acabamentos para um apartamento de 83 m2, tamanho médio dos três-quartos lançados na cidade de São Paulo nos últimos 12 meses.

Os três orçamentos sugeridos variam de 4% a 42,5% do preço médio de um imóvel desse tipo (R$ 304 mil).

Armários para cozinha e quartos respondem pelos maiores gastos. Os modulares custam menos que os planejados. Todos devem ser comprados com ao menos um mês de antecedência, pois a entrega pode demorar. Em lojas de planejados, a espera é maior: 35 dias úteis, ao menos. Marceneiros pedem 90 dias para o serviço.

No projeto mais simples, a decoradora Helena Yazigi Solis gastou R$ 13.000. Optou por armários modulares e piso laminado em salas e quartos. Para economizar, escolheu modelo de aquecedor a gás que não permite dois banhos simultâneos.

Para o padrão médio, a arquiteta Silvia Bitelli orçou R$ 57.200. "Optei por madeira no piso dos quartos e porcelanato para o da sala."

Coube ao arquiteto Rodrigo Picolo o orçamento mais caro, com materiais sofisticados, como porcelanato em peças maiores em quartos, sala e cozinha. Os armários, de um marceneiro, têm acabamento de madeira e laca.

A reforma começa pelo posicionamento de pontos de luz e de água, diz Picolo. "O próximo passo são obras de alvenaria e de gesso. Dê a primeira demão de tinta, coloque revestimentos e instale luminárias e aquecedor. Após a camada final de tinta, fixe cortinas e espelhos."

Confira os orçamentos dos três projetos:



Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/775517-4-do-valor-do-imovel-e-suficiente-para-preparar-o-apartamento-novo-para-morar.shtml

sábado, 31 de julho de 2010

Quanto Custa Meu Design?

Autor
Andre luis ferreira Beltrão
Sócio-diretor e coordenador de projetos do Studio Creamcrackers, professor da UniverCidade/Rio e autor dos livros "Manual do Freela: quanto custa meu design?" pela editora 2AB e "Contos Noturnos" pela editora Escrita Fina

A profissão Designer passou por enormes mudanças desde a informatização dos escritórios de Design, a ponto de podermos dizer que é hoje totalmente diferente do que era há 15 anos. Hoje quem quer ter um escritório precisa saber administrar e planejar, precisa conhecer marketing e finanças. Enquanto vemos administradores sendo contratados pelos escritórios maiores, vemos crescer a busca por especialização dos designers em mestrados de administração e MBAs de marketing e gestão.

No início dos anos 90 circulavam diferentes tabelas de preços para serviços de design, algumas inclusive referenciadas em dólares, havia muito menos escritórios que hoje, que em geral tinham estruturas mais complexas e mais tempo para desenvolver seus projetos. Os designers queriam mostrar sua cara, queriam que todos soubessem o que é design para criar uma conscientização da importância da profissão e expandir mercados.

Com os PCs surgiram curiosos que usavam softwares gráficos e vendiam projetos a preço de banana, uma ameaça aos designers free-lancers que eram similares para aquele cliente que nunca tinha usado serviços de design. E os preços iam caindo à medida que mudavam os processos, o computador permitia realizar coisas mais rápido, era possível fazer mais projetos no mesmo tempo, era possível cobrar menos.

Enquanto isto, softwares gráficos chegaram ao computador do cliente e este passou a conhecer um pouco o processo produtivo e a ter uma percepção diferente do tempo, afinal por que o designer precisaria de uma semana para aquilo, se era tão rapidinho fazer? “ É só um folhetinho rápido, preciso para ontem”…

Neste processo deu-se uma mudança não somente na forma de projetar, na estrutura física dos escritórios e no relacionamento com os clientes e fornecedores, mas também no valor percebido do Design.

O conceito de valor percebido vem do marketing, basicamente significa saber quanto os consumidores de um determinado produto estariam dispostos a pagar por ele antes mesmo de saberem seu preço real. Se o valor percebido é superior ao preço do produto, o consumidor tem a sensação de ter feito um bom negócio, por outro lado, se é inferior ao preço, há a percepção de que o produto é caro.

O valor percebido é subjetivo, está relacionado não somente à percepção da qualidade do Design, mas também a diversos fatores como a demanda, a urgência, a aplicabilidade, o gosto pessoal, a comparação entre concorrentes, o humor do cliente, etc.

Tornou-se difícil saber qual é o valor percebido do design, o design popularizou-se e há diferentes percepções. As tabelas de honorários perderam sua utilidade, pois há clientes de diversos portes e projetos em diferentes níveis de complexidade.

Como calcular o preço de um projeto tornou-se um problema recorrente. Já que a tabela não é mais aplicável, cresceu o peso das questões relacionadas ao planejamento financeiro e à administração. Não basta ter o feeling quanto ao preço de criação para determinada peça, primeiro é necessário saber calcular quanto custa fazer o design, isto é, é preciso considerar o rateio de custos fixos e específicos, impostos, tempo ocioso, depreciação de equipamentos, verba para investimentos, pagamento de financiamentos e mesmo a forma de pagamento, para então aplicar a margem de lucro desejada, a margem de negociação, encargos financeiros, etc.

Para saber o custo de um projeto, uma boa solução para pequenos escritórios e free-lancers é o cálculo baseado no custo-hora, onde determina-se o custo de uma hora de trabalho (já levando em conta todos os custos fixos), e ao orçar um projeto estimamos o tempo que será gasto, multiplicamos pelo custo hora, somamos os gastos específicos com o projeto (material, fotografias, etc) e aplicamos os impostos. O resultado é o preço mínimo a cobrar, aí podemos incluir um percentual para o lucro desejado, para a margem de negociação ou para parcelamento e percentuais específicos como por exemplo para cobrir o tempo ocioso, reserva de tempo (caso leve mais tempo que o previsto), pela expertise (pois aumenta o valor agregado) e outros que se apliquem.

Uma vez que disciplinas de administração e finanças não são parte da formação tradicional dos designers, às vezes é difícil chegar ao custo hora, conseguir prever o tempo de execução das tarefas e parametrizar tanto, mas é necessário fazê-lo para permanecer no mercado. Para o cliente, qualidade e criatividade são itens básicos quando contrata um escritório de design, o preço na maior parte das vezes é o fator de decisão quando ainda não há um relacionamento estabelecido.

Serviço:

Livro: “Manual do Freela: Quanto custa meu design?”. Gestão financeira para designers.

Autor: André Beltrão

Editora: 2AB Editora - www.2ab.com.br

Valor: R$29,90

Fonte: http://www.designbrasil.org.br/artigo/quanto-custa-meu-design

Inhabitat divulga casa pré-fabricada criada pelo arq mineiro Felipe Campolina



Facilidade de transporte e montagem rápida são algumas das vantagens oferecidas pela ECObitat, casa pré-fabricada criada pelo arq mineiro Felipe Campolina, de 28 anos, que ficou em 2º lugar no concurso “Something Green Challenge”. Com um sistema de telhado e paredes verdes, o projeto ganhou espaço em sites internacionais, como o norte-americano Inhabitat.

Pensada como um sistema de alojamento, a casa é apoiada em pernas telescópicas que possibilitam sua implantação mesmo em terrenos acidentados. O telhado metálico dispõe de painéis solares e de uma mini-turbina eólica capaz de produzir energia suficiente para o consumo da habitação, que tem 32m².

O sistema construtivo modular também é composto por painéis de OSB do tipo sanduíche, e por uma estrutura do tipo steel frame, formada por perfis leves de aço. As fachadas transversais que se dobram para baixo como pontes levadiça criam uma área adicional para uso flexível.

A entrada de luz natural é favorecida por fendas verticais do piso ao teto, e o isolamento térmico, por sua vez, é reforçado pelas caixas modulares com plantas instaladas no envelope da construção. “Dependendo dos tipos de plantas usadas, as paredes do ECObitat pode até mesmo produzir alimentos para seus moradores”, acrescenta Campolina. O arquiteto, que é sócio-fundador do escritório Figura juntamente com o arq Tiago Viegas, também teve seu trabalho divulgado no concurso internacional de ideias “2010 Scyscraper Competition”.

Fonte: http://www.arqbacana.com.br/arq!mais

Projeto que visa uma Nova Iorque sustentável e autosuficiente é apresentado na Bienal de Veneza


A Terreform - uma organização sem fins lucrativos dedicada a formas de pesquisa e práticas para desenvolver arquitetura e urbanismo sustentáveis - passou os últimos anos trabalhando em um plano diretor alternativo para a cidade de Nova Iorque. O projeto “New York City (steady) State”, que resultou deste plano, é apresentado na 12ª edição da Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza, que acontece de 29 de agosto a 21 de novembro de 2010.

Liderado pelo arq Michael Sorkin, o “New York City (steady) State” investiga a possibilidade da cidade se tornar autosuficiente em relação à produção de comida, energia, água, suprimento de ar, manufatura, emprego, cultura, saúde e transporte.

A proposta do estudo, que virou livro e homepage, é demonstrar, em primeiro lugar, que uma transformação radical como esta é possível. Além disso, o projeto tem como objetivo criar um catálogo de hábitos e tecnologias que possam ajudar nesta transformação e, finalmente, investigar as consequências morfológicas e sociais para a cidade.

O projeto da Terreform visa um plano sistêmico, integrado e em grande escala, com participação de governos, planejadores, arqs, engs, designers e toda a população. É uma reflexão profunda da sustentabilidade e dos modelos atuais, que sugere uma reconfiguração drástica na maneira como as pessoas economizam e lidam com suas fontes materiais.

Fonte: http://www.arqbacana.com.br/arq!mais


Projeto do arq Jaime Lerner para as marginais de SP propõe parques lineares suspensos e ilhas de prédios residenciais


Um projeto do arq Jaime Lerner, ex-governador do Paraná, ex-prefeito de Curitiba e atualmente consultor de urbanismo da ONU, prevê que as estações e linhas férreas de São Paulo – em que a CPTM promete alcançar 180km com qualidade de metrô até 2012 – sejam cobertas por jardins com ciclovias e passagens para pedestres.

Além dos jardins suspensos, o projeto prevê a criação de pólos de uso misto, no entorno das estações, que abrigariam funções como trabalho, moradia, escolas, shoppings e comércios, lazer e hospitais.

Caos
O projeto seria a solução para o problema de trânsito e crescimento desordenado da cidade que se desenvolve da seguinte forma: superaquecido, o mercado imobiliário não para de erguer empreendimentos. As novas -e antigas- construções estão dentro da lei de zoneamento, porém, resultam em uma distribuição desproporcional. Em alguns locais, como no centro, a concentração de prédios comerciais é alta e a de residências é baixa, em outros, como na Zona Leste, sobram moradias e faltam empresas.

Com isso, na capital paulista, por dia, 38 milhões de viagens são feitas para transportar as pessoas de suas casas para o trabalho, do trabalho para escolas, das escolas para os locais de lazer, entre outros trajetos.

Solução
Ao convidar Lerner para desenvolver o projeto, o Secovi - Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo - tinha como objetivo buscar soluções que incentivassem o uso misto em diferentes regiões da cidade e aliviassem o trânsito de São Paulo. O projeto pretende ser integrado no Plano Diretor da Cidade, cuja reestruturação está prevista para 2012.

Lerner foi o arquiteto escolhido pelo órgão para fazer esse projeto por ser “um dos maiores pensadores urbanistas do Brasil e do mundo”, segundo o vice-presidente do Secovi SP, Cláudio Bernardes.

Para Bernardes, “o projeto é plenamente viável, afinal, depois da construção dessa linha verde, cabe apenas planejar -desde o Plano Diretor- o que falta para cada região, comércio, moradia ou trabalho, e permitir que o mercado imobiliário construa, dentro da lei, como sempre”, diz. “Além de ter todas as suas necessidades atendidas em um só pólo, o projeto pode estimular a prática de esportes – com bicicleta e caminhada – já que será feito sobre um plano”, acrescenta.

Já desenhado para a região da marginal do rio Pinheiros – onde a CPTM já tem trens com qualidade de metrô – o projeto, por enquanto, ainda é embrionário, não tem memorial descritivo nem próximas etapas previstas. “Estamos propondo uma ideia para a cidade, se ela for bem aceita, continuaremos a detalhar”, explica o vice-presidente do Secovi.

Fonte: http://www.arqbacana.com.br/interna.php?id=7903

CURSO DE DECORAÇÃO ONLINE REVISTA CASA CLAUDIA

A revista Casa Claudia convidou grandes profissionais para falar sobre importantes temas da decoração. São 12 aulas - com vídeos, lições e galerias de fotos - que ficarão no ar, no link http://app.casa.abril.com.br/curso-decoracao. Aulas novas todas as quartas. Acompanhe!
Fonte:Revista Casa Claudia